O terrorismo aritmético da covid-19

No caso da epidemia, a intenção predominante é convencer a população de que a situação é sempre muito pior do que se pode imaginar, e tende a ficar pior ainda para o futuro.
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Foto: Octavio lopez galindo

Nada mais fácil para governos e para a mídia, controlada ou aliada a eles, do que jogar um número, ou quantos números quiserem, em cima da população – e tentar fazer as pessoas acreditarem, por causa da montanha de algarismos acenados diante de seus olhos, exatamente naquilo que governos e mídia querem que elas acreditem. A ideia, aí, é a seguinte: aritmética é aritmética, não é mesmo? Contra números não há discussão – naturalmente, se eles forem os nossos números. Quantas pessoas realmente acreditam? O quanto estão mesmo acreditando? Durante quanto tempo vão acreditar? – bem, isso já são outros 500. Mas quem manda na divulgação dos números vai sempre apostar na lavagem cerebral do público através da aritmética. Distorça os fatos agora. Depois se vê como é que fica.

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É o que está acontecendo no Brasil nestes tempos de covid-19. Ao contrário do que em geral se pretende, há discussão, sim, contra números. Eles podem ser moldados de forma a poderem significar qualquer coisa, e por isso mesmo só podem ser levados a sério se forem expostos com real honestidade – ou seja, com o objetivo de apresentar fatos, e não de defender crenças, convicções ou interesses. No caso da epidemia, a intenção predominante é convencer a população de que a situação é sempre muito pior do que se pode imaginar, e tende a ficar pior ainda para o futuro. Resultado: “fique em casa”, dê apoio à paralisação do país e não pergunte, jamais, se as coisas têm de ser assim mesmo.

São Paulo é um dos melhores exemplos desse terrorismo aritmético, onde autoridades e a maioria dos meios de comunicação se recusam a relacionar os números da doença com quaisquer outros – e números isolados, apresentados sem nenhuma comparação com nada, podem se tornar ilusórios. Os paulistas, nos últimos dias têm recebido mensagens do governo em seus celulares, dizendo que há “558 mortos” no Estado (até o momento em que a mensagem foi enviada) e que nenhum outro lugar do Brasil registra números piores. Não há mentira nesses dados. Mas também não há verdade.

Não há verdade porque não se diz nada além da quantidade de casos e de mortes. Não se informa ao público quantas pessoas, entre as milhares que contraem a covid-19, se recuperam com o tratamento. Não se diz que em 2018 morreram quase 300.000 pessoas no Estado de São Paulo, por todas as causas, o que dá 25.000 mortes a cada mês. Não se diz que morreram em todo o Brasil, só de doenças cardíacas, os mesmos 300.000 seres humanos, ou que os acidentes de trânsito chegam a matar cerca de 500 paulistas num único mês. Não se diz que 75% dos municípios do Estado não tiveram, até agora, um único morto pelo vírus. Não se diz que a proporção de mortos pela epidemia na população de São Paulo é de 0,000013%. Não se diz que até ontem, domingo, a Bélgica, com menos de 12 milhões de habitantes, contava quase 4.000 mortes contra as 1.220 do Brasil – mais do que o triplo, para uma população 18 vezes menor.

Números podem ter intenções. No caso do Brasil de hoje é certo que têm. Talvez não haja demonstração tão clara disso quanto a atitude de acusar quem faz as comparações acima de “amigo da morte”, e coisas ainda piores. Apresentar a realidade, só isso, virou crime político neste país.

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39 comentários

  1. Ter acesso à lucidez do Guzzo já bastaria para completar a minha migração para a OESTE. Estou só aguardando melhorarem um pouco a navegabilidade da página. Ou , melhor ainda!, um App dedicado.

      1. Uma amiga minha morreu na semana passada em Curitiba de diverticulite no intestino. Seu atestado de óbito foi de possível covid-19. Seu velório foi permitido por apenas uma hora com cinco pessoas longe do caixão. Números não confiáveis. Parabéns Guzzo.

      2. Na minhs cidade, um velho levou um tombo de moto. Chegou com dor na coluna. Coitado, já entubaram o ancião, disseram que tinha COVID-19 , transladaram o cidadão para Cuiabá sem avisar a família. Agora a família está revoltada com a pataquada. rsrsrs.

      1. Muito bom artigo. Já justificou a minha adesão a essa revista !!

  2. Guzzo, obrigada por esse artigo, é uma brisa de sensatez sobre a histeria irracional q se instalou.
    Muito preocupante o q está acontecendo em nosso país, paralisado, quase sem produzir, enquanto os cidadãos seguem acuados, com a liberdade cada vez mais tolhida e sem direito de reagir ( a mulher de Araraquara q o diga).
    Parece um plano macabro orquestrado e o vírus chinês virou só pano de fundo, em segundo plano. O objetivo maior é desestabilizar Bolsonaro e depor o governo. E ainda falam q vivemos em uma democracia.

  3. Num país onde as pessoas não sabem interpretar textos é bem mais complexo ter de trabalhar com números, muitos deles maquiados em favor aquela causa.

  4. O que me espanta é que ninguém faz a conta mais simples do mundo: n° de casos-mortes=VIVOS!!! Onde estão estes viventes? No hospital? Em casa? Quantos na UTI? Quantos se recuperaram? São 95%!!! CARAMBA!!!

    1. Certo, e mais ainda: o número de contaminados mas apenas com sintomas leves (ou até nenhum, os chamados assintomáticos) nunca será sabido, pois 85% se recuperam sozinhos. Apenas os CASOS GRAVES deveriam ser reportados, ou seja, os que forem hospitalizados e os que morreram antes disso

      1. Talvez a conta que se deva fazer é quantos leitos de UTI (públicos e privados) foram usados no últimos mês por quem tem e teve covid-19 (vivos e mortos). Talvez você descubra que alguém com apendicite aguda não tenha leito para uma intervenção simples, adicione a isso AVC, infarto e etc. O problema é o número de pessoas que precisam de UTI (altíssimo) em um prazo curtíssimo e que o ocupam por umas três semanas, atropelando emergencias do dia a dia. Esse é o problema, o colapso do sistema de saúde (público e privado). É o que aconteceu na Itália, Espanha e EUA. Mas como nós não estamos no patamar deles, acredito que nosso futuro está no Equador. Esqueci do colapso do sistema funerário? Olhe para o Equador. O isolamento social não é para diminuir o número de doentes e mortos, infelizmente não temos a cura e nem a vacina, é para tentar atrasar o máximo possível a contaminação e mortes, dando chances aos sistema de saúde e funerário absorver os números exorbitantes desta doença. Exponencial é de difícil entendimento ou percepção, mas infelizmente é assim que esta doença se comporta.

      2. Ou estou muito errado ou este artigo se baseia em estatísticas de mortes por diversas causas mas não se compara a nenhuma pandemia, que possui um crescimento de casos de maneira EXPONENCIAL… pesquisem!
        Não me preocupo com o dia de hoje, mas sim com a projeção para daqui 2 a 3 meses…
        Exponencialmente, significa que em pouco tempo, a quantidade sobe de maneira absurda e numa projeção simples, o número de casos pode atingir a totalidade da população e mesmo com uma taxa de mortalidade “baixa“ de 3% sobre os infectados, teremos até o final do ano, um potencial de 6 milhões de mortos no Brasil!

      3. reveja seus calculos …. a letalidade nao é de 3% …. longe disso …. se até agora, no mundo com 7,7 bi de populaçao , morreram desde novembro do ano passado 200.000 pessoas , como seria possível o Brasil perder 6mi de vidas ???

      4. Correto, isto daria 0,0028 % desde nov19 para hoje. Há que ter cuidado com os cálculos! No Brasil, país de clima tropical quente, estamos com 0,00085 %, 3,5 x a menos. O medo instigado pelas notícias negativas é nocivo à população e nosso bem estar. Acidentes de trânsito tem matado mais que o COVID19, e nem assim deixamos de trafegar!

      5. Pois é… Fico impressionada como as pessoas conseguem minimizar dessa forma uma pandemia… Tudo é política agora… A população mundial e seus líderes… todos errados… sqn ?‍♀️

    1. Impressionante como a imprensa marrom e fedida brasileira só sabe somar os dados Nada falam de estarmos com índices de óbitos que não aumentam a uma semana. E o número de novos infectados vem caindo a cinco dias. Ora, a curva de óbitos virou uma reta linear e a curva de novos infectados descendeu abruptamente. Pode mudar no futuro ? Pode. Mas não é o que vem acontecendo no hemisfério sul.

  5. Parabéns Guzzo,, sabemos que existe uma guerra e a desinformação é a arma mais estratégica que está sendo usada, por isso, não podemos nos calar e precisamos denunciar as arbitrariedades que estão sendo cometidas por governadores e prefeitos que estão rasgando a constituição.

  6. Saí também do Antagonista e da Crusoé em razão de inverdades que foram publicadas. Que esta revista continue nesta linha de apurar os fatos e publicar a verdade. Infelizmente a grande mídia se tornou porta voz de ideologias e dos poderosos que sonham como uma Nova Ordem Mundial.

  7. Que beleza de artigo! Sempre quis saber qual o número de mortos em São Paulo por mês, antes dessa paranoia , digo, pandemia. Agora sim, estou bem informada. Obrigada pelo esclarecimento. Até que enfim, alguém chegou com esses dados que seriam obrigação de toda reportagem que se preze honestamente.

  8. Na minhs cidade, um velho levou um tombo de moto. Chegou com dor na coluna. Coitado, já entubaram o ancião, disseram que tinha COVID-19 , transladaram o cidadão para Cuiabá sem avisar a família. Agora a família está revoltada com a pataquada. rsrsrs.

  9. adoro seus comentários, bem como os do constantino, fiuza, enfim, estou tentando assinar a revista e não consigo… nem a assinatura e nem resposta do porque!

  10. Mestre Guzzo, ratificando o que foi exposto no artigo, pergunto: Quem audita esses números? Onde estão as informações dos casos (sem expor a privacidade, claro), de modo que o cidadão comum possa comprovar a veracidade do número de infectados? Em resumo, não há transparência e nem credibilidade nessas informações sobre o contágio do COVID-19 no Brasil.

  11. Comparar a revista oeste ao site de fofocas antagonista/cruzoe não tem sentido. Os profissionais aqui reunidos, a começar pelo Guzzo, são todos de alto nível. No site de fofocas só “jornalistas” sem um mínimo de postura. O Brasil precisava de uma revista de ótima qualidade como esta. Parabéns e obrigado.

  12. É pior ainda… Se os números oficiais forem corretos (fonte do próprio governo: https://transparencia.registrocivil.org.br/registral-covid), o tal vírus chinês é tão forte que está matando todas as outras causas-mortis como pneumonia, insuficiência respiratória e septicemia. Todas estas diminuiram na comparação com o mesmo período de 2019, em proporção muito maior do que a soma dos casos novos de COVID e o aumento de SRAG (sindrome respiratória aguda grave). Claramente há manipulação dos números, sabe-se lá com quais objetivos.

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