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Economia

Efeito Master: BRB vira sócio de mais de 100 restaurantes e 4 shoppings

Participações foram adquiridas como compensação a ativos problemáticos; transação conflita com a estratégia de negócios

Sede do BRB, em Brasília: perda de foco | Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Sede do BRB, em Brasília | Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

O Banco de Brasília (BRB) tornou-se sócio, de forma indireta, de mais de cem restaurantes e de quatro shoppings centers em operação no Brasil. A situação resulta principalmente das transações financeiras com o Banco Master. As participações passaram a integrar o portfólio do banco público como compensação à transferência de ativos problemáticos.

O patrimônio absorvido pelo BRB inclui cotas em fundos que controlam redes de bares, restaurantes e centros comerciais. Entre eles estão participações com vínculo a grandes grupos do setor de alimentação presente em diversos estados, bem como dezenas de marcas consolidadas no mercado. No caso dos shoppings, os empreendimentos operam nas regiões do Distrito Federal, Goiás, Paraná e Espírito Santo.

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BRB: sem saída

A origem dessas participações está vinculada à crise enfrentada pelo Banco Master, que resultou em operações de venda de ativos ao BRB. Parte desses papéis, posteriormente, revelou problemas de lastro e qualidade. Isso levou o banco estatal a receber ativos reais como tentativa de mitigar prejuízos financeiros. Com isso, o BRB acabou exposto a segmentos alheios à sua atividade principal, que é a intermediação financeira.

Internamente, a avaliação é de que essas participações não representam uma mudança estratégica deliberada, mas sim um efeito colateral das negociações realizadas para reduzir perdas. A atual administração do banco estuda alternativas para lidar com os ativos, que incluem desde a manutenção temporária das cotas até a venda ou reorganização das participações em fundos.

Leia também: “O Banco Master chegou ao Planalto”, reportagem de Carlo Cauti publicada na Edição 307 da Revista Oeste

A situação provocou críticas de analistas e de atores políticos, que veem riscos adicionais para uma instituição controlada pelo governo do Distrito Federal. O argumento central é que a exposição a negócios como restaurantes e shoppings pode aumentar a volatilidade do balanço e desviar o foco do papel institucional do banco.

O BRB, por sua vez, sustenta que a gestão dos ativos seguirá critérios técnicos para preservar valor, reduzir riscos e proteger o patrimônio público. As decisões finais dependerão do andamento das investigações sobre o caso Master e da avaliação econômica de cada participação herdada.

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