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No Ponto

Movimento vai levar casos de perseguição contra advogados no Brasil ao exterior

Grupo conservador repudiou 'expressão do estado de exceção'

Órgão da OEA veio ao Brasil apurar situação da liberdade de expressão no país | Foto: Reprodução/CIDH
Órgão da OEA veio ao Brasil apurar situação da liberdade de expressão no país | Foto: Reprodução/CIDH

O Movimento Advogados de Direita Brasil, composto de mais de 8 mil membros, anunciou, nesta quarta-feira, 2, que vai levar casos de abusos contra a advocacia ao exterior. Entre outros organismos no radar, está a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), vinculada à Organização dos Estados Americanos (OEA).

A decisão ocorreu diante de suposta omissão da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) diante do que seriam abusos contra a categoria.

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Recentemente, o Supremo Tribunal Federal (STF) abriu um inquérito contra Paulo Cunha Bueno, da defesa de Jair Bolsonaro, e Eduardo Kuntz, que cuida do processo de Marcelo Câmara, assessor do ex-presidente quando esteve no governo. Bolsonaro e Câmara são réus no STF, por suposta tentativa de golpe de Estado.

“Tais episódios evidenciam uma preocupante criminalização da advocacia de defesa, em violação direta às prerrogativas profissionais e às garantias constitucionais que asseguram o livre exercício da profissão”, informou o movimento, em documento obtido em primeira mão por Oeste. “Trata-se de mais uma expressão do estado de exceção não declarado que se instala no país, em que o advogado passa a ser tratado como partícipe ou cúmplice simplesmente por cumprir sua missão constitucional.”

Ida de advogados à OEA passa por “omissão” da OAB

Ainda de acordo com o grupo,”mais grave é a postura de silêncio do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, que assiste inerte à escalada de violações contra seus próprios inscritos, especialmente quando esses profissionais atuam na defesa de cidadãos que se opõem ao regime atualmente instalado”.

Leia a nota completa

senador oab
O presidente da OAB, Beto Simonetti, durante uma sessão no STF | Foto: Fellipe Sampaio/SCO/STF

“O Movimento Advogados de Direita Brasil vem, por meio desta nota, manifestar profunda preocupação e repúdio diante dos recentes acontecimentos que envolvem a intimação e o depoimento dos advogados Fabio Wajngarten, Paulo Cunha Bueno (defensor do ex-presidente Jair Bolsonaro) e Eduardo Kuntz (defensor de Marcelo Câmara) à Polícia Federal.

Tais episódios evidenciam uma preocupante criminalização da advocacia de defesa, em violação direta às prerrogativas profissionais e às garantias constitucionais que asseguram o livre exercício da profissão. Trata-se de mais uma expressão do estado de exceção não declarado que se instala no país, em que o advogado passa a ser tratado como partícipe ou cúmplice simplesmente por cumprir sua missão constitucional.

A advocacia é função essencial à administração da Justiça, conforme o artigo 133 da Constituição Federal. Quando seus profissionais passam a ser investigados, intimidados e constrangidos por atuarem na defesa de seus clientes, a democracia é ferida em sua base mais elementar.

Ainda mais grave é a postura de silêncio da OAB, que assiste inerte à escalada de violações contra seus próprios inscritos, especialmente quando esses profissionais atuam na defesa de cidadãos que se opõem ao regime atualmente instalado. A omissão da OAB compromete sua legitimidade histórica e institucional.

Diante desse cenário, o Movimento Advogados de Direita Brasil, enquanto grupo independente, suprapartidário e composto por mais de 8.400 profissionais autônomos, informa que levará essa sistemática perseguição contra a advocacia e a omissão institucional ao conhecimento de instâncias internacionais, como a CIDH, vinculada à OEA, a Relatoria Especial da ONU sobre a Independência de Juízes e Advogados, entre outros organismos internacionais comprometidos com a proteção das liberdades civis, da advocacia livre e do devido processo legal.

Reiteramos nosso compromisso com a defesa intransigente do Estado de Direito, da livre advocacia e do direito de defesa — pilares sem os quais nenhuma nação pode se considerar verdadeiramente democrática.

Pelo fim da perseguição à advocacia. Pela firme defesa das liberdades fundamentais. A história não absolverá os omissos”.

Leia também: “Aos inimigos, a lei”, reportagem publicada na Edição 275 da Revista Oeste

A coluna No Ponto analisa e traz informações diárias sobre tudo o que acontece nos bastidores do poder no Brasil e que podem influenciar nos rumos da política e da economia. Para envio de sugestões de pautas e reportagens, entre em contato com a nossa equipe pelo e-mail [email protected].

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3 comentários
  1. Elton Custodio Silva
    Elton Custodio Silva

    Sugiro não pagarem mais a OAB. Se não cumpre com as prerrogativas mínimas, como qualquer outro contratado de prestação de serviços, cortem o pagamento. Milhares de advogados com carta aberta do porquê de suspenderem o pagamento, vai mandar um recado claro.

  2. Lauro Patzer
    Lauro Patzer

    A ditadura da toga está explícita e agora mais ainda exposta pela perseguição contra advogados, sem esquecer os juízes. Evidencia também a OAB, vergonhosamente engajada com a toga opressora. A OAB poderia ser extinta e não faria falta, talvez, apenas, para um segmento político. A livre advocacia, o direito a ampla defesa (no caso dos réus do inventado golpe, é apenas uma fachada, pois a lei e todas as provas em contrário sucumbem perante a vontade de um só homem) e a ordem processual deixaram de existir e as leis se converteram em meros papéis impressos. O povo voltará às ruas para grita o “Basta”. É preciso recorrer a organismos internacionais. Mas fica a dúvida: até que ponto eles estão contaminados pelo esquerdismo? A OEA e a ONU já perderam a credibilidade.

  3. Maria Helena Rodrigues Costa
    Maria Helena Rodrigues Costa

    Infelizmente não temos mais Estado de Direito, que democracia é esta?

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