publicidade
Política

Autor da PEC da prisão em 2ª instância afirma que proposta só passa com 'pressão popular'

'Não ficaremos submetidos às vontades de mudança de entendimento do Supremo de acordo com o momento político', diz o deputado Alex Manente (Cidadania-SP) em entrevista a Oeste

Manente é crítico do PT
Deputado Alex Manente (Cidadania-SP), autor da PEC da prisão depois de condenação em 2ª instância | Foto: Gustavo Sales/Câmara dos Deputados

Depois de mais de um ano de paralisação em função da pandemia de covid-19, a comissão especial que analisa a Proposta de Emenda à Constituição da prisão após condenação em segunda instância (PEC 199/2019) retomou os trabalhos no dia 15 de abril. A primeira sessão foi marcada pela eleição do novo presidente do colegiado, Aliel Machado (PSB-PR), que assumiu o posto deixado por Marcelo Ramos (PL-AM) — eleito primeiro vice-presidente da Câmara. O relator da proposta é o deputado Fábio Trad (PSD-MS).

Em entrevista a Oeste, o autor da PEC, deputado Alex Manente (Cidadania-SP), afirmou que somente a pressão da sociedade fará com que o texto siga para o plenário com chances reais de ser aprovado. Como noticiamos em fevereiro deste ano, a proposta não é prioridade do presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), que não pretende pautar o tema em plenário. Neste momento, não há ambiente político nem apoio suficiente no Parlamento para que o texto seja votado.

Receba nossas atualizações

Saiba mais: clique aqui para ler a íntegra da PEC da Segunda Instância

“A aprovação da PEC da segunda instância dependerá muito do envolvimento da própria sociedade. Nós ganhamos na CCJ [Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara, que aprovou, em novembro de 2019, a admissibilidade da proposta] muito em virtude da pressão popular que existiu e queremos que a retomada da comissão especial traga novamente esse engajamento”, afirma Manente.

Lula e a Lava Jato

Segundo o deputado, a aprovação da PEC acabaria com a insegurança jurídica no país em relação ao tema. Em 2019, ao analisar a questão, o Supremo Tribunal Federal (STF) mudou seu próprio entendimento anterior e determinou que um réu não pode ser preso antes de a sentença transitar em julgado — ou seja, na quarta e última instância. Com base nessa decisão, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pôde deixar a cadeia.

Leia também: “Comissão da PEC da 2ª instância retoma os trabalhos”

“Não tenho dúvida de que aprovar a emenda constitucional traz segurança jurídica. Não ficaremos submetidos às vontades de mudança de entendimento do Supremo de acordo com o momento político e, principalmente, com a mudança de ministros que ocorre frequentemente”, diz Manente. “O Brasil já teve quatro mudanças [de entendimento sobre o assunto] e é a hora de estabelecer isso definitivamente na nossa Constituição.”

Leia mais: “O STF é o único governo de fato que existe no Brasil de hoje”

Segundo Manente, Lula poderia até voltar à prisão caso a PEC fosse aprovada no Congresso e, mais adiante, o petista fosse novamente condenado em segunda instância — ele teve suas condenações no âmbito da Lava Jato anuladas pelo STF, o que fará com que os processos de que é alvo voltem à fase inicial. “O ex-presidente Lula estará sujeito às aplicações se for condenado em segunda instância a partir do momento em que a emenda constitucional seja promulgada antes da sua eventual condenação na primeira instância”, afirma.

Leia também: “Lula, o dono do Supremo”, artigo de J. R. Guzzo publicado na Edição 53 da Revista Oeste

Na avaliação do deputado, a retomada do debate sobre a PEC da prisão em segunda instância ganha ainda mais importância agora, em meio ao enfraquecimento da Lava Jato nos tribunais superiores. Além da anulação das condenações de Lula, o ex-juiz Sergio Moro foi considerado suspeito pela maioria dos ministros do STF. “Infelizmente para o país, a Lava Jato vem sofrendo abrandamentos por conta da sua atuação”, lamenta Manente. “Ela foi a operação que mais trouxe resultado no combate à corrupção e à impunidade.”

A proposta e os próximos passos

A PEC 199/2019 determina que o réu condenado em segunda instância pode ser preso ainda que haja recursos junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) ou ao STF. O projeto foi apresentado em novembro de 2019, e os trabalhos da comissão especial tiveram início um mês depois.

Em 2020, em meio à pandemia de covid-19, a comissão passou meses sem se reunir. Em setembro, o relator Fábio Trad (PSD-MS) apresentou seu parecer. O texto original da PEC alterava os artigos 102 e 105 da Constituição e acabava com o recurso extraordinário ao STF e o recurso especial ao STJ.

Em seu relatório, Trad manteve a possibilidade dos recursos aos tribunais superiores — mas a execução da pena se torna obrigatória após uma decisão colegiada em segundo grau, em tribunais de Justiça dos Estados ou em Tribunais Regionais Federais (TRFs).

A próxima reunião da comissão especial que analisa a PEC da Segunda Instância está marcada para amanhã, quinta-feira, 29. Se passar na comissão especial, a PEC será encaminhada ao plenário da Câmara, no qual precisa contar com o apoio de três quintos dos deputados (ou 308 de 513). No Senado, são necessários os votos de 49 dos 81 senadores. Tudo isso em dois turnos de votação em cada Casa.

Leia também: “Dallagnol afirma que Lava Jato ‘não acabou’, mas vê retrocesso no combate à corrupção”

Leia mais sobre:

10 comentários
  1. Fabiano
    Fabiano

    Estou informando o pessoal de São Bernardo do Campo que esse deputado também colocou o Daniel Silveira na CADEIA.

  2. DHIEGO ALVES DOS SANTOS
    DHIEGO ALVES DOS SANTOS

    O STF começou com um novo entendimento sobre prisão em segunda instância para livrar o Lula, o povo não meteu o pé no peito deles, então decidiram somente agora, que deve ser tudo reiniciado, pq o foro não deveria ser Curitiba.O último com o apoio da covid e fique em casa, pra distrair a população, a tempo de conseguir si candidatar e o novo juiz não conseguir prendê-lo, e ainda que perca a eleição, provavelmente seus crimes irão prescrever.
    A pária amada STF!

  3. Pedro Campos Coutinho
    Pedro Campos Coutinho

    Podem desistir. É mais fácil um camelo passar no buraco da agulha. Este país é dominado por bandidos.

    1. Livre
      Livre

      Foram demitir o Moro, agora estão todos soltos novamente… falam q o Cunha, já está apoiando o atual governo…

  4. Décio João Gallego Gimenes
    Décio João Gallego Gimenes

    Ou reagimos fortemente ou seremos cúmplices dessa bandalheira toda!

    1. Livre
      Livre

      Vc é um robô? São cometa isso em qq matéria da revista…

  5. Paulo gusson
    Paulo gusson

    Esse sujeito de Sao Bernardo do Campo , votou pela prisao do Deputado Daniel Silveira ,farei questao de lembrar o povo de Sao Bernardo do Campo por esse ato covarde.

    1. Marcus
      Marcus

      Muito bem lembrado, apesar do projeto ser bom este canalha contribuiu para vilipendiar a Constituição que expressamente proíbe a prisão de Deputados nas condições nas quais o Silveira se encontrava.
      E ainda vem me falar de segurança jurídica….

    2. Livre
      Livre

      Não só foi ele quem votou, tem mais uns 300 deputados… lembra os outros nomes tb….

Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade