O presidente Lula quer indicar novamente o advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), conforme parlamentares da base governista ouvidos por Oeste.
Na avaliação desses aliados, Lula interpretou a derrota de Messias, no Senado, como um recado político articulado pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), diretamente ao Palácio do Planalto.
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Interlocutores de Lula dizem que o petista considerou a movimentação “injusta” com o AGU, a quem atribui confiança pessoal, perfil técnico e lealdade política.
Senadores governistas afirmam que Lula cogita insistir no nome de Messias também para evitar transmitir a imagem de que cedeu às pressões de Alcolumbre.
Ao mesmo tempo, integrantes da própria base reconhecem a dificuldade de viabilizar o AGU em uma espécie de “segundo turno” no Senado, diante do desgaste político provocado pela rejeição.
Regra impede nova votação de Messias neste ano
Apesar da disposição política do presidente, uma norma interna do Senado impede que os parlamentares apreciem novamente a indicação ainda em 2026.
Trata-se do Ato da Mesa nº 1, de 2010, editado em maio daquele ano, que estabelece ser “vedada a apreciação, na mesma sessão legislativa, de indicação de autoridade rejeitada pelo Senado Federal”.

Na prática, mesmo que Lula reenvie o nome de Messias antes da eleições, o Senado só poderá analisar a indicação a partir de 2027, portanto, depois das eleições.
Mesmo assim, Lula entende que há espaço para negociação.
Divergência dentro do governo
A possibilidade, contudo, divide integrantes do próprio governo.
Ministros de Estado ouvidos por Oeste consideram improvável que Lula mantenha a estratégia de insistir em Messias para a vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso no STF.
Os governistas entendem que Lula precisaria encarar uma “derrota garantida”, mas destacam que o presidente se sentiu pessoalmente atingido pela rejeição.
Indicar novamente o nome de Messias, no entanto, seria um movimento contrário a atual tentativa de reaproximação entre Palácio do Planalto e Davi Alcolumbre.
Nas últimas semanas, ministros de Lula estão se encontrando reservadamente com o presidente do Senado para tentar melhorar a relação entre os Poderes.
Diante das recentes derrotas no Congresso e da necessidade de avançar com pautas consideradas prioritárias, como a PEC da Segurança Pública e o projeto que prevê o fim da escala de trabalho 6×1, Lula passou a reorganizar a estratégia de articulação política do governo para tentar conter novos desgastes no Senado.
Leia também: “O beijo de Judas”, reportagem publicada na Edição 321 da Revista Oeste
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