Algumas capas da Revista <b>Oeste</b>, que completa 100 edições nesta semana | Fotos: Reprodução
Algumas capas da Revista Oeste, que completa 100 edições nesta semana | Fotos: Reprodução

Chegamos à Edição 100

Nesses quase dois anos de vida, Oeste esteve invariavelmente ao lado da liberdade: política, econômica, de imprensa, de expressão. São direitos inegociáveis

No início de 2020, na primeira reunião de pauta da história da Revista Oeste, surgiu a dúvida: publicamos ou não uma reportagem sobre o novo vírus detectado em Wuhan, na China, e que começava a preocupar as autoridades brasileiras? A Organização Mundial da Saúde só reconheceria semanas depois a existência de uma pandemia. A Edição 1 tratava da desafiadora retomada da atividade econômica já no princípio da crise sanitária. O texto sustentava que não era preciso escolher entre saúde ou economia. A solução estava num plano que cuidasse simultaneamente do binômio, preservando vidas, mas também empregos e negócios. 

De lá para cá, foram publicadas 99 edições. Mais de uma dezena teve como tema principal a pandemia de coronavírus. Ao contrário da imprensa tradicional, concentrada no lado negativo dos números e das coisas, Oeste optou por mostrar os fatos como os fatos são — e por colocar em pauta qualquer assunto considerado tabu pela maior parte dos veículos de comunicação: a roubalheira do Covidão, a ineficiência do lockdown, os efeitos da cloroquina e da CoronaVac e a situação da educação de crianças e jovens foram alguns dos assuntos abordados. O passar dos meses mostrou que nossa voz solitária quase sempre acertou.

Nesses quase dois anos de vida, a Revista Oeste esteve invariavelmente ao lado da liberdade: política, econômica, de imprensa, de expressão. São direitos inegociáveis. Denunciou o autoritarismo de políticos ou burocratas e o confisco do direito de ir e vir. Contestou a ciência que serviu a interesses eleitorais ou financeiros. Foi alvo de agências de checagem, incomodadas com a verdade dissonante do pensamento único da velha mídia. Afinal, em respeito ao pacto que firmamos com você, leitor, “a ‘realidade relativa’, para nós, não existe. A realidade é uma só”.

Para comemorar a centésima edição, reunimos reportagens que marcaram a história da Revista Oeste e jogaram luz sobre temas muitas vezes relegados à escuridão.  

• Ascensão de Arthur Lira

Arthur Lira ainda era um ilustre desconhecido do grande público quando a Revista Oeste revelou quem era o deputado alagoano que trilhava o caminho para substituir Rodrigo Maia na presidência da Câmara dos Deputados. Nos bastidores do Congresso Nacional, Lira atuava com destreza para acelerar a tramitação de emendas e travar pautas que não eram do seu interesse. Também conhecido como O Sombra, o deputado se destacava por dominar o regimento interno da Casa e dar as cartas na distribuição dos apartamentos funcionais. “Em Brasília, mesmo tendo má reputação para alguns, Lira ganha respeito por ser alguém que ‘resolve os problemas’”, mostrou a reportagem. 

Pouco antes das eleições para substituir o comando das duas Casas do Congresso Nacional, no fim de 2020, o Supremo Tribunal Federal (STF) impediu a reeleição da dupla Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre. Apesar do esforço de boa parte da imprensa em repercutir a candidatura “competitiva” de Baleia Rossi (MDB), candidato apoiado por Maia, Arthur Lira foi eleito com 302 dos 513 votos já no primeiro turno da votação. 

Edição 4 da Revista Oeste

 

• Os tabus da pandemia

Enquanto o mundo se curvava diante das arbitrariedades de governantes autoritários amparados por uma “ciência” que não permitia contestações, a Revista Oeste promoveu o debate científico aberto. Abordou “assuntos proibidos” e apresentou ao leitor reportagens que discutiam as incertezas em torno da pandemia. 

Além disso, Oeste antecipou o chamado Covidão: a farra com o dinheiro dos pagadores de impostos protagonizada por Estados e municípios diante da indústria da calamidade pública que desembarcou no Brasil com o vírus chinês:

“A exemplo do que representaram para o país o Petrolão e o próprio Mensalão, este Covidão drenará o dinheiro do pagador de impostos e tem potencial para comprometer as finanças públicas para além de 2020, ameaçando a retomada econômica pós-pandemia.” 

Edição 7 da Revista Oeste

O fracasso do lockdown 

“Os lockdowns causados pelo novo coronavírus não conseguiram alterar o curso da pandemia”, mostrou uma reportagem da Revista Oeste publicada em junho de 2020. Há quase dois anos, um estudo do banco americano J. P. Morgan já anunciava que as medidas de isolamento poderiam causar mais mortes do que a própria doença. Na Edição 45, diante da insistência de autoridades em decretar novas medidas de isolamento social, outra reportagem mostrou como os erros cometidos no primeiro ano de crise sanitária se repetiram em 2021.

Em janeiro deste ano, um artigo divulgado pelo Instituto Johns Hopkins chegou à seguinte conclusão: “Os lockdowns impuseram enormes custos econômicos e sociais onde foram adotados. Como consequência, as medidas de lockdown são infundadas e devem ser rejeitadas como política a ser adotada na pandemia”.

Edição 45 da Revista Oeste

Medicamentos no combate à covid e vacinação

Em um cenário em que não havia vacinas e pouco se sabia sobre a covid-19, a Revista Oeste trouxe à discussão o uso dos medicamentos do chamado tratamento precoce, assunto demonizado por parte da imprensa e da comunidade médica. E questionou (e continua questionando) a eficácia e a segurança das vacinas, desenvolvidas a toque de caixa por grandes laboratórios que nem mesmo se responsabilizam pelos possíveis efeitos colaterais de seus produtos.

Edição 3 da Revista Oeste
Edição 67 da Revista Oeste

 

• O circo  da CPI e a farsa do golpe

Instalada para investigar erros e omissões do governo federal no combate à pandemia, a CPI da Covid se converteu em uma fonte inesgotável de manchetes famintas por antecipar o embate eleitoral de 2022 e assassinar reputações. A imagem que ilustra a reportagem de capa da Edição 61 da Revista Oeste resume o que foi a arena montada em Brasília, capitaneada pelo trio de senadores Omar Aziz (PSD), Renan Calheiros (MDB) e Randolfe Rodrigues (Rede). Depois de seis meses, a CPI da Covid terminou sem conseguir elaborar sequer uma denúncia consistente de desvio dos cofres públicos.

Edição 61 da Revista Oeste

 

O blefe do 7 de Setembro 

Antes das manifestações que reuniram milhares de pessoas na Avenida Paulista e na Esplanada dos Ministérios no último 7 de Setembro, a imprensa e os políticos de oposição anteviam que um golpe militar estava em curso para restaurar a ditadura, fechar o Supremo e o Congresso Nacional. “Há sinais de que, pela proximidade do 7 de Setembro, movimentos sejam promovidos por bolsonaristas, ‘bolsominions’ e psicopatas que seguem o presidente Bolsonaro, para defender a ditadura e um regime autoritário no Brasil. Nós resistiremos”, disse o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), à época.

“Dar um golpe de Estado, ao contrário do que acham os editoriais, os cientistas políticos de esquerda e o governador João Doria, não é um negócio assim tão simplesinho”, escreveu J. R. Guzzo, em artigo publicado na Edição 75 da Revista Oeste.

Sem “golpe”, os atos em apoio ao governo e em defesa das liberdades individuais transcorreram de maneira pacífica, apesar de todos os meios de comunicação classificarem a manifestação de antidemocrática e autoritária. Enquanto isso, o ministro do STF Alexandre de Moraes mandava prender pela quarta vez o jornalista Oswaldo Eustáquio e pela primeira vez um líder dos caminhoneiros conhecido como Zé Trovão.

Edição 77 da Revista Oeste

 

• Os presos políticos no Brasil e os abusos do STF

O Brasil mostrou que presos políticos não são exclusividade de ditaduras escancaradas. A Revista Oeste denunciou o ataque ao Estado de Direito pelo STF, que mandou prender políticos, jornalistas e até um caminhoneiro acusado de “atentar contra a democracia”. O ministro do Supremo Alexandre de Moraes, relator do inquérito das fake news e dos “atos antidemocráticos”, tem agido como vítima, polícia, promotor e juiz em processos que boa parte dos juristas considera ilegais. 

Na Edição 86, Oeste mostrou como Moraes ignorou a Constituição e inventou a figura do “perseguido político meio preso e meio solto”: 

“Inventou o flagrante perpétuo, demitiu por justa causa a imunidade parlamentar, exonerou princípios jurídicos seculares, atropelou cláusulas pétreas da Constituição e, com a insolência de um fora da lei de nascença, deformou o Código Penal e o Código de Processo Penal com interpretações paridas às pressas.” 

Edição 48 da Revista Oeste

A mesma Corte que mandou prender o deputado Daniel Silveira, os jornalistas Oswaldo Eustáquio e Allan dos Santos, o ex-deputado Roberto Jefferson e o caminhoneiro Zé Trovão  colabora para a soltura, um a um, de quase todos os presos da Operação Lava Jato, como mostrou reportagem da Edição 66. 

Edição 66 da Revista Oeste

 

• O país do agronegócio e da preservação ambiental

Embora seja acusado dentro e fora do país de destruir o meio ambiente, o Brasil é campeão em conservação ambiental. Mais de 65% do território nacional é composto de áreas preservadas, sendo que mais de 25% delas estão dentro de imóveis rurais. Na média, o produtor brasileiro precisa manter a mata nativa em 50% da propriedade. Na Amazônia, são 80%. “É como se você tivesse um carro, mas só pudesse usar o banco do motorista”, comparou Michel Muniz, assessor do projeto Farmun, que estimula pesquisas científicas ligadas ao agronegócio em escolas de Mato Grosso, na Edição 99 de Oeste

Ao mesmo tempo, o agronegócio utiliza menos de 30% das terras brasileiras. Desse total, pouco mais de 21% são ocupados por pastagens. As lavouras não chegam a 8% do território. É em parte dessa área que o país produziu, somente em grãos, 31 quilos de comida por habitante da Terra. Também é onde estão 1,5 bilhão de frangos e 220 milhões de bovinos. O Brasil também é o maior fornecedor mundial de açúcar, soja, café e suco de laranja.

Edição 99 da Revista Oeste

 

• O gigantismo do Estado

A diminuição do tamanho do Estado brasileiro é uma das principais bandeiras de Oeste. Ao longo dessas 100 edições, diversas capas mostraram as consequências de um governo inchado, bancado com o dinheiro dos pagadores de impostos. Na Edição 65, foi feito um raio-x dos abonos, benefícios e gratificações que turbinam os salários dos servidores de 46 estatais brasileiras.

Em novembro de 2020, às vésperas das eleições municipais, Oeste revelou detalhes de Vereadópolis, o universo paralelo onde vivem os vereadores brasileiros: “Em todo o país, 1.856 dos quase 5.570 municípios não geraram receita suficiente para bancar os salários de prefeito, vereadores e equipes”, mostrou a reportagem. “Segundo o Índice Firjan de Gestão Fiscal (IFGF), esses municípios gastaram R$ 4,5 milhões com essas despesas e geraram R$ 3 milhões de receita. O estudo, elaborado com dados de 2018, concluiu que 3.944 municípios registram situação fiscal difícil ou crítica, incluindo nove capitais: Florianópolis, Maceió, Porto Velho, Belém, Campo Grande, Natal, Cuiabá, Rio de Janeiro e São Luís.”

Edição 34 da Revista Oeste

 

• A defesa incondicional da liberdade

“A cultura do cancelamento é a principal arma dos intolerantes”, observou a reportagem de capa da Edição 80 de Oeste. “É mais cômodo deletar o cidadão de uma vez do que promover o debate e o intercâmbio de ideias. No entanto, um país precisa de pessoas que desafiem a lógica do senso comum.” Nos últimos anos, esse método de banimento se espraiou pelas redes sociais, pela imprensa, pelas universidades e pelas artes, criando um ambiente em que é perigoso discordar de ideias. 

Os fatos mostram que a liberdade de expressão e de pensamento é um dos direitos fundamentais em risco no Brasil. É o que fica evidente com a prisão, por determinação do STF, de gente que critica os ministros da Corte. Ou com o banimento pelas big techs de quem ousa discutir assuntos que vão de encontro com o que determina a mídia tradicional. Ou com a desenvoltura com que políticos dizem que, se eleitos, pretendem regulamentar os meios de comunicação. Ou com a passividade com que o mundo aceitou palavras de ordem como #FiqueEmCasa e #UseMáscara.

“Quem poderia imaginar que esse enredo kafkiano se tornaria realidade?”, perguntou a reportagem da Edição 93. “Em menos de dois anos, a civilização ocidental abriu mão com estarrecedora passividade de direitos fundamentais que levou séculos para conquistar.” Em entrevista a Oeste, o psiquiatra inglês Theodore Dalrymple fez a triste constatação: “Suspeito que muitos valorizam a liberdade menos do que gostamos de pensar”.

Edição 93 da Revista Oeste

 

A censura das agências de checagem  

Oeste é vítima das agências de checagem desde julho de 2020, quando uma delas classificou como fake news a reportagem “Imagem da Nasa prova que a Floresta Amazônica não está em chamas”. Apesar da veracidade da reportagem e da longa resposta enviada pela revista, uma tarja de “informação falsa” continuava sendo enviada para todos aqueles que compartilhavam a notícia seis meses depois da publicação.

Oeste acionou a Aos Fatos judicialmente, exigindo as devidas retratações e reparações. Foi a primeira ação desse tipo no Brasil. Na sexta-feira 23 de abril, o juiz Marcelo Augusto Oliveira, da 41ª Vara Cível de São Paulo, determinou a exclusão dos textos da agência de checagem. O caso continua tramitando na Justiça.

Edição 60 da Revista Oeste

Leia também “A destruição da democracia” 

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